19 de fev. de 2012

Carnaval 2010

Aquelas pessoas que me conhecem sabem que eu não gosto de carnaval. Na minha humilde opinião é um feriado que já deveria ter deixado de existir há tempos. Esse lance da política de pão e circo já está mais que batida. Particularmente eu prefiro ficar trancado em casa – uma vez que ainda não tenho dinheiro pra sair do país nesta época do ano – e nem ligo a TV, pois só se fala da folia de Momo não importando o canal e que se ligue. O que seria de mim sem meus livros, revistas, internet ou canais fechados?

Aconteceu de no carnaval de 2010 uma amiga, por quem eu tenho um grande apreço, carinho e amo muito saiu de Campo Grande/ MS pra conhecer o carnaval de Salvador. Ela já esteve pelas bandas da Soterópolis na Semana Santa de 2007, que foi quando eu a conheci pessoalmente – antes disso só a conhecia pelo orkut e MSN.

Como eu não gosto de carnaval, mas não podia deixar de ver Lesly, essa minha amiga tão amada, marquei com ela bem longe dos locais onde a festa ocorre em Salvador: no Shopping Iguatemi. Nos encontramos lá ela, eu, Doo (outro amigo nosso) e a namorada dele. Conversamos um pouco e matamos parte das saudades que sentíamos um do outro. Ela já tinha acertado com outros amigos nossos que ia encontrá-los no Largo 2 de Julho pra aproveitar o carnaval. Como ela não conhece bem a cidade, Doo ficou de levá-la até lá. A namorada dele foi pra casa, pois ia pra Avenida com o primo. E foi aí que a coisa começou a degringolar.

Fomos pegar o ônibus na Rodoviária e, quando chegamos lá, a namorada de Doo ligou pra ele dizendo que ele havia ficado com o CD dela. Me dispus a levar Lesly onde o restante do pessoal estava, já que Doo tira que voltar pra devolver o CD. O ônibus não tardou a passar e chegamos sem (quase) nenhum transtorno na Estação da Lapa. As maiores dificuldades foram termos ido em pé e o ônibus ter enchido com foliões indo para a festa.

A multidão de festeiros não chegou e me espantar, pois já esperava por isso, mas não sei se ela ficou assustada/espantada com a quantidade de gente subindo a ladeira como formigas indo em direção a uma mesa cheia de guloseimas. Coloquei a bolsa dela no meu pescoço, segurei-a pela mão e fomos enfrentar aquele mar de gente e o perigo de nos separarmos. Passamos pela Praça da Piedade e Av. Sete sem problemas. Na Av. Carlos Gomes o bloco Filhos de Gandhi havia terminado de passar, já fazendo o caminho de volta do circuito Dodô. Lesly até queria ter tirado fotos com eles, mas não deu tempo.

Encontramos o pessoal, fiz a social ficando um tempo lá e fui-me embora, mas voltei logo: Tomate, com o bloco Internacionais, estava passando na Carlos Gomes impedindo a minha passagem. Em sendo assim, resolvi voltar e ficar mais um pouco com o pessoal. Pouco depois ele resolveram ir ver os blocos passando enquanto eu fui embora outra vez.

Tomate já tinha ido embora quando passei na Carlos Gomes de novo e segui o meu caminho. Quando cheguei na Rua da Forca vi, pelos balões se aproximando, que havia mais um bloco chegando e pedi a Deus que não fosse um certo bloco, o pior que há para quem quer tentar passar para o outro lado. Era ele! De nada adiantaram minhas preces: era o Camaleão!!! Aquela desgraça daquele bloco tem uns 3km dos balões até o carro de apoio. Dali até o fim do bloco deve ter mais uns 2,5km.

A Rua da Forca é um beco sem vergonha que fica entre um banco e uma loja de eletrodomésticos e que liga a Av. Carlos Gomes à Av Sete/Praça da Piedade. Era tarde demais pra mim: não tinha mais como seguir em frente. Ainda tentei voltar, mas já tinha outro bloco – que eu não consigo me lembrar qual era – passando na Carlos Gomes. Aquele beco dos infernos foi enchendo de gente como acontece com qualquer bloco que passe no circuito. Mas não era qualquer bloco que estava passando: era o “Chicretão, mô pai”!

Continuei com minhas preces, dessa vez pedindo que o trio não parasse, mas, outra vez de nada adiantou pedir porque aquele filho da mãe do Bell Marques pediu pra parar quase que em frete de onde eu estava. Ele tornou a minha espera angustiante pra sair daquele lugar e deixar de ouvir Axé Music de “difícil” para “quase impossível”. Por sorte minha ele não ficou muito tempo parado e seguiu em frente – o que não quis dizer muito, pra bem da verdade. Só nessa “brincadeira” eu perdi de 20 a 30 minutos da minha vida ali, parado, espremido, com um calor que fazia a Rua da Forca parecer uma filial do inferno e ouvindo um estilo musical que não me agrada em nada. Contabilizando aí também o tempo que o carro de apoio levou parado na minha frente também. É a lei de Murphy comandando a minha vida, como SEMPRE faz. Tsc.

O fim do bloco vinha se aproximando, a rua foi esvaziando, já dava pra tentar dar alguns passos em qualquer direção e assim eu fiz. Fui caminhando em direção à saída da rua pra ver se ainda faltava muito pra eu poder ir embora daquele lugar e assim que eu vi uma brecha em que eu, magrelo que sou, poderia serpentear e sair dali fui ao seu encontro. E não me importou se eu tive que dar a volta em toda a Praça da Piedade. Tudo que eu queria era voltar pra casa. Como você pode imaginar, eu consegui. Caso contrário não teria narrado esta história.

 Com Lesly no Largo 2 de Julho.

4 de fev. de 2012

Tecnologias modernas de hoje em dia

Bons tempos os da câmera analógica e não se podia apagar as fotos depois de tiradas. A gente só sabia se tinha piscado quando tirou a foto depois de revelar o filme e aí já era. Não tinha mais como voltar atrás.

Outra coisa que me tira a paciência com as câmeras digitais são as pessoas que nem bem tiraram a foto e já sabem que não ficaram bem. Como é possível saber isso se o/a modelo não viu a foto direito? Viu a foto de relance na máquina e sabe que a foto não ficou boa! As vezes a pessoa nem mesmo viu a foto e já quer apagar pra tirar outra. Acredite, internauta: já vi isso acontecer!


Claro que existem aqueles casos que não tem reza brava que dê jeito. É feio(a) e vai ficar assim não importando a câmera, fotógrafo, cenário ou coisa parecida. Não tem J. R. Duran, Hans Donner nem Photoshop capaz de melhorar a situação.


Em contra partida a isso existe uma pequena parte da população — ou ao menos de conhecidos meus — que não está nem aí pra nada e nem se importa pra como saiu na foto o que importa mesmo é gravar aqueles momentos de diversão com os amigos. Ou isso ou se está com o nível de álcool no sangue alto o bastante pra não perceber a cara de bêbado que ficou na foto só reparando isso quando vê a mesma postada nas redes sociais.


Existe ainda um grupo menor de pessoas que não são tão belas quanto a sociedade/mídia acha que deveriam ser, mas saem bem nas fotos. Essas pessoas são as chamadas "fotogênicas". Ou isso ou são pessoas de baixa auto-estima e que se deixam influenciar por terceiros que ficam falando que estão, literalmente, bem na foto. E é nesse grupo, amigo leitor, que eu me enquadro. O grupo dos fotogênicos, eu digo.


De minha parte eu peço encarecidamente para que você deixe de besteira e pare de pedir pra apagar a bagaça da foto tenha saído bem ou não nela. Se você não faz isso, leitor, garanto que conhece pessoas assim. Nesse caso peço que NÃO apague as fotos. Pode até tirar outra, mas não apague a que te pedirem pra apagar.


Pode me chamar de antiquado e quadrado. É um direito que te assiste. Mas eu me reservo ao meu direito de não postar o seu comentário ofensivo. Como eu deixei bem claro no primeiro post do blog, só vou postar os comentários que me deixem bem na foto. E isso nunca fez tanto sentido.

21 de jan. de 2012

TPM em 4 fases


Eu tô procurando o autor para entregar um prêmio.

Segundo a visão masculina, dividiu-se a TPM em 4 fases principais:


Fase 1 – A Fase Meiguinha

Tudo começa quando a mulher começa a ficar dengosa, grudentinha... Bom sinal? Talvez, se não fosse mais do que o normal.
Ela te abraça do nada, fala com aquela vozinha de criança e com todas as palavras no diminutivo... A fase começa chegar ao fim quando ela diz que está com uma vontade absurda de comer chocolate. O que se segue, é uma mudança sutil desse comportamento, aparentemente inofensivo, para um temperamento um pouco mais depressivo.


Fase 2 – A Fase Sensível

Ela passa a se emocionar com qualquer coisa, desde uma pequena rachadura em forma de gatinho no azulejo em frente à privada, até uma reprise de um documentário sobre a vida e a morte trágica de Lady Di. Esse estágio atinge um nível crítico com uma pergunta que assombra todos os homens, desde os inexperientes até os mais escolados como o meu pai:

– Você acha que eu estou gorda?

Note que não é uma simples pergunta retórica. Reparem na entonação, na escolha das palavras. O uso simples do verbo “estou” ao invés da combinação “estou ficando”, torna o efeito da pergunta muito mais explosiva do que possamos imaginar. E essa pergunta, amigo leitor, é só o começo da pior fase da TPM. Essa pergunta é a linha divisória entre essa fase sensível da mulher para uma fase mais irascível.


Fase 3 – A Fase Explosiva

Esta é a fase mais perigosa da TPM. Há relatos de mulheres que cometeram verdadeiros genocídios nessa fase. Desconfio até que várias limpezas étnicas tenham sido comandadas por mulheres na TPM. Exagero à parte, realmente essa é a pior fase do ciclo tepeêmico. Você chega na casa dela, ela está de pijama, pantufas e descabelada. A cara não é das melhores quando ela te dá um beijo bem rápido, seco e sem língua. Depois de alguns minutos de silêncio total da parte dela, você percebe que ela está assistindo aquele canal japonês que nem ela nem você sabem o nome. Parece ser uma novela ambientada na era feudal. Sem legendas. Então, meio sem graça, sem saber se fez alguma coisa errada, você faz aquela famosa pergunta: “Tá tudo bem?” A resposta é um simples e seca: “Ta” sem olhar na sua cara.

Não satisfeito, você emenda um “tem certeza?”, que é respondido mais friamente com um rosnado baixo e cavernoso “teenhoo!”. Aí, como somos legais e percebemos que ela não tá muito a fim de papo, deixamos quieto e passamos a tentar acompanhar o que Tanaka está tramando para tentar tirar Kazuke de Joshiro, o galã da novela que...

– Merda, viu!? – ela rosna de repente.
– Que foi?

A Fase Explosiva acaba de atingir o seu ápice com essa pergunta! Sem querer, acabamos de puxar o gatilho. O que se segue são esporros do tipo:

– Você não liga pra mim! Tá vendo que eu tô aqui quase chorando e você nem pergunta o que eu tenho! Mas claro! Você só sabe falar de você mesmo! Ah, o seu dia foi uma merda? O meu também! E nem por isso eu fico aqui me lamuriando com você! E pára de me olhar com essa cara! Essa que você faz, e você sabe que me irrita! – você não sabe! – Aquele vestido que você me deu ficou apertado! Aaaai, eu fico looooouca quando essas coisas me acontecem! Você também, não quis ir comigo no shopping trocar essa merda! O pior de tudo é que hoje, quando estava indo para o trabalho, um motoqueiro mexeu comigo e você não fez nada! Pra que serve esse seu Jiu Jitsu? Ah, você não estava comigo? Por que não estava comigo na hora? Tava com alguma vagabunda? Aquela sua colega de trabalho, só pode ser ela. E nem pra me trazer um chocolate! Cala sua boca! Sua voz me irrita! Aliás, vai embora antes que eu faça alguma besteira! Some da minha frente!!

Desnorteado, você pede o pinico e sai. Tenta dar um beijinho de boa noite e quase leva uma mordida.


Fase 4 – A Fase da Cólica

No dia seguinte o telefone toca. É ela, com uma voz chorosa, dizendo que está com uma cólica absurda, de não conseguir nem andar. Você vai à casa dela e ela te recebe dócil, superamável. Faz uma cara de coitada, como se nada tivesse acontecido na noite anterior, e te pede pra ir à farmácia comprar um Atroveran, Ponstan ou Buscopan pra acabar com a dor dela. Você sai pra comprar o remédio meio aliviado, meio desconfiado. “O que aconteceu?”, você se pergunta. “Tudo bem” – você pensa – “Acho que ela se livrou do encosto”.
Pronto! A paz reina novamente. A cólica dobra (literalmente) a fera e vocês voltam a ser um casal feliz. Pelo menos até daqui a 20 dias...

P.S.: O PIOR NÃO É ISSO, O PIOR É QUE ELAS ESTÃO LENDO ISTO E ESTÃO DANDO RISADA!!! ESTÃO DIZENDO, SOU ASSIM MESMO.

9 de jan. de 2012

Depende do clima!

30°C
Baianos vão à praia, dançam, cantam e comem acarajé.
Cariocas vão à praia e jogam futebol.
Mineiros comem um “queijim” na sombra.
Todos os paulistas estão no litoral e enfrentam 2 horas de fila nas padarias e supermercados da região.
Curitibanos esgotam os estoques de protetor solar e isotônicos da cidade.

25°C
Baianos não deixam os filhos saírem ao vento após as 17h.
Cariocas vão à praia, mas não entram na água.
Mineiros comem um feijão tropeiro.
Paulistas fazem churrasco nas suas casas do litoral e poucos ainda entram na água.
Curitibanos reclamam do calor e não fazem esforço devido ao esgotamento físico.

20°C
Baianos mudam os chuveiros para a posição “Inverno” e ligam o ar quente das casas e veículos.
Cariocas vestem um moletom.
Mineiros bebem pinga perto do fogão a lenha.
Paulistas decidem deixar o litoral; começa o trânsito de volta para casa.
Curitibanos tomam sol no parque.

15°C
Baianos tremem incontrolavelmente de frio.
Cariocas se reúnem para comer fondue de queijo.
Mineiros continuam bebendo pinga perto do fogão a lenha.
Paulistas ainda estão presos nos congestionamentos na volta do litoral.
Curitibanos dirigem com os vidros abaixados.

10°C
Decretado estado de calamidade na Bahia.
Cariocas usam sobretudo, cuecas de lã, luvas e toucas.
Mineiros continuam bebendo pinga e colocam mais lenha no fogão.
Paulistas vão a pizzarias e shopping centers com a família.
Curitibanos botam uma camisa de manga comprida.

5°C
Bahia entra no armagedom.
Governo estadual lança a candidatura do Rio para as Olimpíadas de Inverno.
Mineiros continuam bebendo pinga e quentão ao lado do fogão a lenha.
Paulistas lotam hospitais e clínicas devido a doenças causadas pela inversão térmica.
Curitibanos fecham as janelas de casa.

0°C
Não existe mais vida na Bahia.
No Rio, governador veste 7 casacos e lança o “Ixxnoubórdi in Rio”.
Mineiros entram em coma alcoólico ao lado do fogão a lenha.
Paulistas não saem de casa e dão altos índices de audiência a Gugu, Luciana Gimenes, Faustão e Silvio Santos.
Curitibanos fazem um churrasco no pátio... antes que esfrie.

1 de jan. de 2012

Analisando 2011

Mais um ano que chegou ao fim. Mais uma volta que a Terra dá em torno do Sol. Mais 365 dias, 6 horas e sei-lá-quantos minutos dando a volta no Sol e não ficamos tontos. Bom, não a maioria de nós. Nessas horas ouvimos e damos (lá ele) nossos sinceros votos de felicidades, paz e prosperidade ao próximo. Nem sempre são sinceros, mas sempre queremos ser o próximo. É nesse momento também, no fechar de mais um ciclo, que nós, eu (que escrevi este texto), você (que está lendo) e o resto da humanidade fazemos uma avaliação do ano que se passou. Nem todos podem, tem oportunidade ou a paciência para escrever sobre. Enfim, segue aqui mais ou menos como foi o meu 2011.

No final de 2010 eu li no MSN e orkut de muita gente um desejo que 2011 humilhasse 2010 e, do jeito que as coisas estavam, tinha tudo para isso acontecer. "Mas a vida é uma caixinha de surpresa" como já disse o narrador da história de Joseph Climber. As coisas mudaram de tal forma que 2011 foi vergonhosamente humilhado por 2010, ao menos pra mim.

Sumi da EAUFBA, não por vontade própria, mas porque não peguei nenhuma disciplina lá. De certa forma foi até bom pra mim que isso acontecesse. Desde o segundo semestre de 2010 eu já vinha passando por uma fase introspectiva e estava numas de não querer ver muita gente, mas, tendo aula lá, ficava um tanto quanto difícil. Coincidiu de eu ter aula lá no mesmo período em que a minha introspecção ficou mais forte e necessária. Foi bom pra eu fazer novas amizades e descobrir quem são os meus amigos de verdade. Encontrei até a minha alma gêmea, mas isso é coisa pra um outro post. Mantive alguns dos antigos por perto (os que eu sabia que me fariam mais falta), mas, infelizmente não pude fazer isso com todos os que me fariam falta: somente com alguns.

Nesse período de auto avaliação eu fui “abandonado” por algumas pessoas que eu achava que gostavam de mim e, como eu não pude manter a minha dor só comigo, saí meio que “divulgando” isso nas redes sociais. Isso acabou fazendo com que pessoas que eu não via há muito tempo viessem a mim perguntando o que estava acontecendo comigo e porque eu estava daquele jeito. Mostrou que essas pessoas, as que me procuraram preocupadas, se importavam comigo mesmo que não nos víssemos há mais de um tempão, enquanto que outras que eu tinha um contato mais próximo, não quiseram tomar nem conhecimento sobre como eu estava. “Como vovó já dizia”: a gente sabe que são nossos amigos é na hora da dor. Minha avó tinha seus momentos de sabedoria. Tive bons amigos ao meu lado que me ajudaram a superar um momento não tão bom pra mim. Alguns me ajudaram sem nem saber que estavam fazendo isso. Agradeço muito a Deus por me dar amigos assim. Tive dois Marcelos que me ajudaram a superar isso também: Camelo e Jeneci. Baixei o disco de ambos e fiquei mais de um mês escutando seus respectivos álbuns. Senti na pele o que Manfredini Júnior quis dizer com "toda dor vem do desejo de não sentirmos dor".

Enfim as coisas mudaram, mas todo mundo muda: até a surda muda (ê piadinha infame). Duas cidades que nunca me atraíram – e que eu nunca escondi de ninguém – foram Rio e São Paulo. Fui à Sampa, me apaixonei pela cidade e volto pra lá facinho. Pessoas voltaram do além-túmulo e sumiram de novo (foi uma coisa bem clichê de novela da Globo). O setor em que eu trabalhava no estágio foi extinto e fomos todos defenestrados. Felizmente não foi no sentido literal da coisa, mas figurativamente.

Mas 2012 já está aí e sempre esperamos que as coisas mudem durante o ano. Algumas coisas não vão mudar: vou continuar prometendo pra mim mesmo que não vou deixar acumular material das aulas, mas vou continuar acumulando; Tammy vai me ligar direto de Paratinga pra "bater dois dedos de prosa" durante as férias; vou marcar e desmarcar várias vezes com Elmo uma ida a Feira de Santana sem nunca saber se iremos mesmo dessa vez; o mundo não vai acabar e vão inventar outra data para o fim do mundo; vou sumir para algumas pessoas e aparecer para outras. Uma coisa eu quero com todas as minhas forças que mude e eu vou fazer de tudo para acontecer: chegar atrasado nas aulas. Nem eu estava aguentando mais. Cruz-credo.

No mais é isso. Espero de coração que 2012 seja “fantárdigo” pra você e que ele humilhe o seu 2011. Se eu pedir que ele humilhe o MEU 2011 é covardia. Espero que 2010 seja humilhado por 2012. Com fim do mundo ou não.

24 de dez. de 2011

O Pequeno Órfão ou O Menininho na Árvore de Natal de Cristo

Seguindo no clima natalino resolvi postar hoje, véspera de Natal, um conto muito bom que eu li durante o ano que vai chegando ao seu fim. É um texto do grande escritor russo Fiodor Dostoiévski (1821-1881). Admito que chorei da primeira vez que li. É, eu também sou um ser humano e também tenho sentimentos, ao contrário do que muita gente pensa. Além do mais, eu não estava num dos meus melhores momentos. Agora mesmo, enquanto redigia o conto, uma lágrima teimosa escorreu pelo meu rosto.

Extraí o conto em questão do livro “Os Melhores Contos Bíblicos” (Ediouro, 2006). A organização do livro e seleção dos contos fica por conta de Flávio Moreira da Costa e a tradução deste conto em específico é de Augusto Alencastro. Leia com bastante atenção: faz-nos pensar muito. Segue o conto.

“Como se fossem dois Dostoiévski: muito diferente da ficção vigorosa – e grandiosa – de romances mundialmente conhecidos como Crime e Castigo e Os demônios, este conto de um dos gênios da literatura se aproxima da sentimentalidade eslava, ou da chamada 'alma russa'. Não é uma sinfonia: é uma canção, uma sonata em tom menor escrita por um autor enquanto jovem. É a presença do Natal na nossa antologia, a fazer dupla com o conto de O. Henry, unindo ambos espírito de religiosidade com uma inegável crítica social. Ou uma crítica religiosa de uma festividade religiosa?” (Flávio Moreira da Costa).

I

Numa cidade grande, na véspera de Natal, com o frio cortante, vejo uma criancinha, ainda bem nova, 6 anos de idade, talvez até menos; por enquanto nova demais para que a mandem pedir esmola na rua, mas com certeza destinada a isso dentro de um ano ou dois.
Essa criança acorda certa manhã num úmido e gélido porão. Está embrulhada numa especie de roupão sórdido e treme. O ar que respira sai por entre seus lábios em forma de vapor branco; está sentada numa calha; para passar ao tempo, sopra o ar pela boca e se diverte olhando-o escapar. Mas sente muita fome. Várias vezes, desde o início do dia, aproximou-se do leito coberto com um colchão de palha fino com gaze, onde sua mãe está deitada, doente, co a cabeça repousada num monte de trapos no lugar de travesseiro.
Como ela foi parar ali? Veio provavelmente de uma outra cidade e ficou doente. A proprietária da vaga miserável foi presa dois dias atrás e levada para a delegacia; é feriado hoje, e os outros inquilinos saíram. Entretanto, um deles ficou na cama nas últimas vinte e quatro horas, estupidificado com bebida, não esperando o feriado.
De outro canto são lançadas as queixas de uma anciã de 80 anos, de cama com reumatismo. A anciã foi outrora babá em algum lugar; agora morre completamente só. Ela geme, choraminga e resmunga para o menininho, que começa a sentir medo de chegar perto do canto onde está deitada, como estertor da morte na sua garganta. Ele acha alguma coisa para beber no corredor, mas não consegue descobrir nem um pedacinho de pão, e pela décima vez vai acordar a mãe. Acaba ficando assustado na escuridão.
Já é tarde da noite e ninguém chega para acender o fogo. Encontra, tateando em volta, o rosto de sua mãe, e fica atônito por ela não se mexer mais e estar tão fria quanto a parede.
“Está frio!”, pensa.
Fica algum tempo sem se mexer, descansando a mão no ombro do cadáver. Então começa a soprar nos dedos para aquecê-los e, achando seu bonezinho na cama, olha suavemente para a porta e sai do alojamento subterrâneo.
Teria saído antes se não ficasse com medo do grande cachorro que late o dia inteiro lá no patamar em frente à orta do vizinho.
Ah, que cidade! Nunca antes vira uma coisa parecida. Lá longe de onde veio, as noites são muito mais escuras. Só tem uma lâmpada para a rua toda; casinhas baixas de madeira, fechadas com trava; na rua, desde a hora em que escurece, ninguém; todo o mundo fechado em casa; só um monte de cachorros que uivam, centenas de cachorros que uivam e latem a noite toda. Ao mesmo tempo, costumava ser tão quente lá! E tinha alguma coisa para comer. Aqui, ah, como seria bom ter alguma coisa para comer! Que barulho aqui, e tumulto! Quanta luz e quanta gente! Que cavalos e carruagens! E o frio, o frio! Os corpos dos cavalos cansados exalam vapor com o gelo e suas narinas ardendo soltam nuvens brancas; suas ferraduras tilintam no pavimento através da neve macia. E como todos se esbarram uns nos outros! “Ah, como eu gostaria de comer um pedacinho de alguma coisa! É por isso que meus dedos estão doendo tanto.”

II

Um policial passa e vira a cabeça de modo a não ver a criança.
“Aqui tem outra rua. Ah, como é larga! Posso ser esmagado até a morte aqui, eu sei: como eles todos giram, como correm, como rodam! E a luz, e a luz! E aquilo, o que é aquilo? Ah, que vidraça grande! E atrás da vidraça, uma sala, e na sala uma árvore que vai até o teto; é a árvore de Natal. E que luzes debaixo da árvore! Que pacotinhos dourados e que maçãs! E, em toda a volta, bonecas e cavalinhos-de-pau. Há criancinhas bem-vestidas, bem-comportadas e limpas; estão rindo e brincando, comendo e bebendo coisas. Há uma menininha indo dançar com o menininho. Como é bonita! E há música. Dá para eu ouvir através do vidro.”
A criança olha, admira e até ri. Não sente mais dor nos dedos das mãos nem nos pés. Os dedos ficaram todos vermelhos, não pode mais dobrá-los e custa muito movê-los. Mas, de repente, sente os dedos doerem; começa a chorar, e vai embora. Percebe através de outra janela outra sala e, de novo, árvores e bolos de todo tipo na mesa, amêndoas vermelhas e amarelas. Quatro lindas senhoras estão sentadas, e quando alguém chega recebe um pedaço de bolo; e a porta abre a todo momento, e muitos cavalheiros entram. O amiguinho se aproximou, abriu a porta de repente e entrou. Ah, que barulho foi feito quando o viram, que confusão! Imediatamente uma senhora se levantou, pôs um copeque na sua mão e abriu a porta da rua para ele. Como ficou amedrontado!

III

O copeque cai de suas mãos e vai tilintando nos degraus da escada. Não consegue fechar os dedos o suficiente para segurar a moeda. A criança sai correndo, e anda rápido, rápido. Aonde estava indo? Não sabia. E corre, corre, e sopra suas mãos. Está perturbado. Sente-se tão só, tão assustado! E, de repente, o que é isso? Tem uma multidão parada, admirando.
“Uma janela! Atrás da vidraça, três lindas bonecas trajadas com minúsculos vestidos vermelhos e amarelos, exatamente como se estivessem vivas! E o pequenino velho sentado, que parece tocar o violino. Há outros dois, também, de pé, que tocam violininhos, que marcam o compasso da música com a cabeça. Olham um para o outro e seus lábios se movem. E falam de verdade? Só que não dá para serem ouvidos através do vidro.”
E a criança primeiro acha que estão vivos e, quando compreende que são apenas bonecos, começa a rir. Nunca vira bonecos assim antes, e não sabia que existiam! Gostaria de chorar, mas aqueles bonecos são engraçados demais!

IV

De repente, percebe que o agarram pelo casaco. Um menino grande e valentão está perto dele e lhe dá um soco na cabeça, arranca seu boné e dá uma rasteira nele.
A criança cai. Ao mesmo tempo, há um grito; ele permanece um momento paralisado com medo. Depois, levanta-se de chofre com um salto e corre, corre, se lança por baixo de um portão em algum lugar e se esconde num pátio atrás de uma pilha de madeira. Encolhe-se e treme de medo; mal pode respirar.
E de repente fica bem tranquilo. Suas mãozinhas e pezinhos não doem mais. Está quente, quente como se estivesse perto de uma estufa, e todo o seu corpo treme.
“Ah, vou dormir! Como é bom um sono! Vou ficar um pouquinho e depois vou ver os bonecos outra vez”, pensou o amiguinho e sorriu com a lembrança dos bonecos. “Eles pareciam mesmo como se estivessem vivos!”
Então ouve a canção de sua mãe. “Mamãe, vou dormir. Ah, como é bom aqui para dormir!”
“Venha para a minha casa, menininho, para ver a árvore de Natal”, disse uma voz suave.
Pensou a princípio que era sua mãe; mas não, não era ela.
Então, quem o está chamando? Ele não vê. Mas alguém se inclina para ele e o envolve em seus braços, na escuridão; e ele estica sua mão e – de repente – ah, que luz! Ah, que árvore de Natal! Não, não é uma árvore de Natal; nunca viu coisa igual!
Onde está agora? Tudo é resplandecente, tudo é radiante, e bonecos por todo lado; mas não, bonecos não, menininhos, menininhas; só que são bem brilhantes. Circulam todos em volta dele; voam. Dão abraço nele, o pegam e levam embora, e ele vai voando também. E vê sua mãe olhando para ele e rindo alegremente.
– Mamãe, mamãe! Ah, como é bom aqui! – exclama seu menininho para ela.
E de novo abraça as crianças, e gostaria muito de contar a elas sobre os bonecos atrás da vidraça. – Quem são vocês, menininhas? – pergunta, rindo e acariciando-as.
É a árvore de Natal na casa de Jesus.
Na casa de Jesus, nesse dia, há sempre uma árvore de Natal para criancinhas que não a têm.
E ele soube que todos esses menininhos e menininhas foram crianças como ele, que morreram como ele. Alguns morreram de frio em cestas abandonadas nas portas dos funcionários públicos de São Petersburgo; outros, de fome nos seios secos de suas mães durante a inanição. Todos estavam aqui agora, todos anjinhos agora, todos com Jesus, e Ele Em Pessoa entre eles, dando-lhes as mãos, abençoando-os e às suas mães pecadoras.
E as mães dessas crianças estão lá também, separadas, chorando; cada uma reconhece seu filho ou filha, e as crianças voam até elas, as abraçam, limpam as lágrimas com suas mãozinhas e pedem a elas que não chorem.
E aqui embaixo, na terra, o porteiro da manhã achou o corpo pequenininho da criança que se refugiara no pátio. Jazia duro e congelado atrás da pilha de madeira.
A mãe foi achada também. Ela morreu antes dele; ambos estão reunidos no Céu, na casa do Senhor.

17 de dez. de 2011

O mais novo pedinte

O mundo ainda está vivendo uma crise financeira. Assim como um resfriado, a crise de 2008 foi "mal curada". Por conta disso ainda vemos hoje alguns países do velho continente ameaçando a União Européia e a sua moeda "forte", o Euro.

Foi justamente nesse momento de instabilidade econômica que eu encontrei um dos maiores símbolos do capitalismo totalmente maltrapilho, com uma barba rasta, uma roupa de outra cor que não a que outro símbolo do mesmo capitalismo vestiu nele. Papai Noel!!

 


Quando vi tal figura na porta de uma delicatessen fiquei com uma certa pena dele. Depois fiquei matutando com os meus botões: será que a Coca-Cola retirou o patrocínio dele? Ou será que ele faliu por dar os brinquedos ao invés de vende-los? Ele deve ter esquecido como o capitalismo é selvagem. E por quê ele escolheu este "país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza"? Teria ele se cansado do frio do Pólo Norte ou deu o calote nos duendes, fugiu pro país da impunidade e tentou se disfarçar? Se foi isso tenho que dizer que ele não é nenhum mestre dos disfarces.


Diversas teorias e hipóteses tomaram conta dos meus pensamentos desde que encontrei o bom velhinho pelas ruas da Soterópolis. E você, amigo internauta? Tem alguma teoria pra foto postada? Sinta-se a vontade para compartilha suas ideias comigo e com quem mais quiser ler isso aqui.

Inicio aqui uma campanha para ajudar a salvar o natal e a entrega de presentes ao redor do mundo. Você pode participar da melhor maneira que conseguir. Doando dinheiro, conseguindo outro patrocinador pro velho Noel, conseguindo um trenó novo ou convencendo o vi*** do seu vizinho a puxar o tal do trenó. Qualquer ajuda será bem vinda. Chame seus parentes, amigos e sua sogra pra ajudar na campanha. E rápido: temos uma semana pra tentar fazer alguma coisa.